domingo, 22 de novembro de 2009

Presidente do Irã propõe cooperação nuclear com o Brasil

Representantes das comunidades judaica, espírita, homossexual fazem protesto na Praia de Ipanema contra a visita do presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)


Numa entrevista exclusiva ao "Jornal da Globo", o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que chega segunda-feira (23) ao Brasil, para uma visita oficial, propôs uma "cooperação nuclear" que o Brasil até agora evitou, e sugeriu "atitudes" no conflito no Oriente Médio que o Brasil até agora não endossou. Os principais trechos da entrevista você confere aqui.

Aos 57 anos, Ahmadinejad acaba de ser reeleito presidente do Irã. Político profissional, oriundo da aguerrida guarda revolucionária, é amável e cordial no trato. Mas, seu estilo de fazer política nacional e internacional é o do ataque direto e agressivo a qualquer pessoa, grupo ou país por ele percebido como adversário.

A entrevista começa com Ahmadinejad falando em nome de Deus, Todo Poderoso, que reaparece na imagem do Imã, a referência ao Aiatolá Khomeini, o líder da revolução islâmica iraniana.

"O Brasil", disse ele, "pode ajudar bastante ao Irã em vários setores, como agricultura, ciência, indústria, energia". "Mas importante mesmo", acentuou, "é a possibilidade de uma cooperação internacional entre Brasil e Irã" a partir do que Ahmadinejad chama de "fracasso do sistema capitalista".

"Os dois países podem trabalhar juntos para ajudar a desenhar uma nova ordem internacional. Podemos afinar nossas visões. Podemos ter um papel construtivo para fazer o mundo melhor. Brasil e Irã têm esse potencial".

Capitalismo

Ao ser lembrado do fato de que o Brasil é e pretende permanecer uma economia capitalista, Ahmadinejad contra-argumentou dizendo: "O tipo de capitalismo que nós conhecemos alcançou o fim da estrada. Ele vai contra o conceito de justiça social. A principal idéia do capitalismo contradiz a da justiça. Acredito que tanto o Irã quanto o Brasil estão buscando construir um sistema econômico justo, baseado em princípios humanitários".

Cooperação nuclear

Ele propôs ao Brasil uma ampla cooperação nuclear para construção de usinas geradoras de eletricidade, deixando claro que não está pensando na importação de tecnologias sofisticadas e de disseminação controlada. "Nós temos uma tecnologia nuclear própria", afirmou.

Ahmadinejad disse que o Brasil e o Irã enfrentam dificuldades semelhantes para desenvolver tecnologias próprias no campo nuclear.

Ao contrário do que dizem as potências ocidentais, que acusam o Irã de desenvolver um programa com fins militares, Ahmadinejad afirma que as atividades nucleares iranianas estão sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica, de Viena. E que não há mais o que negociar.

Pergunto se no setor nuclear ele conta com o apoio brasileiro. "Eu disse que o Brasil sempre deu apoio ao direito iraniano de ter tecnologia nuclear, e somos gratos por isso. Nossos inimigos fizeram de tudo para nos impedir: aprovaram resoluções contra o Irã, impuseram sanções, ameaçaram reagir militarmente, lançaram campanhas políticas. Mas eu penso que é a vez de outras nações, como o Brasil, se erguerem".

Eleições

No campo das relações políticas, menciono o apoio recebido por Ahmadinejad no dia seguinte à eleição presidencial no Irã, quando havia acusações de que a eleição fora fraudada, pessoas apanhavam nas ruas e o presidente Lula disse que ele, Ahmadinejad, era o vencedor.

William Waack: "O senhor é grato a Lula?"

Ahmadinejad: "Isso é absolutamente certo. Eu realmente gostei da postura dele. Nos encontramos alguns anos atrás. Somos muito bons amigos".

Mas o senhor e o presidente Lula têm visões diferentes no que se refere a questões internacionais, por exemplo, no conflito na Palestina. O Brasil reconhece o direito de existência de Israel, e Lula perguntou ao senhor sobre suas declarações acerca da matança de judeus na Segunda Guerra Mundial, que para Lula e a maioria dos brasileiros são inaceitáveis.

"Quando recebemos amigos, significa que compartilhamos visões em uma atmosfera amigável, e tentamos atingir alguns pontos comuns. Não há razão para que dois amigos pensem o mesmo em todos os campos. Talvez com respeito a alguns aspectos precisemos dialogar mais".

Holocausto

Na mesma resposta, ao falar sobre o holocausto, Ahmadinejad alterou um pouco suas declarações anteriores, que eram a de negá-lo totalmente. "A questão que apresentamos é muito clara. Eu fiz dois questionamentos, fiz duas perguntas claras.

A primeira questão era: ?se o holocausto aconteceu, onde aconteceu?? Claramente, aconteceu na Europa. Todo mundo sabe disso. Se aconteceu, aconteceu na Europa. A segunda pergunta: ?o que isso tem a ver com o povo palestino?? Por que o povo deveria pagar por isso? Por que deveriam dar a terra dos palestinos por causa de crimes cometidos na Europa?"

A resposta de Ahmadinejad implica em negar a existência de Israel, e na pergunta seguinte digo a ele que a posição do Brasil é a de apoiar a solução de dois Estados, portanto a existência de Israel. Ele acha que o Brasil teria de mudar de posição?

"Não vamos interferir na decisão feita pelo Brasil. O Brasil é um país independente. Nós temos nossos argumentos. E dividimos nossos argumentos com amigos brasileiros, mas o relacionamento entre os dois países não será afetado por esse tema".

Homossexualidade

Quando indagado sobre a reação e protestos, também no Brasil, às suas declarações contra homossexuais, Ahmadinejad deu um dos poucos sorrisos durante a entrevista. "Eu não espero que todas as pessoas do mundo concordem com minhas opiniões. As pessoas têm visões diferentes. Mas pensamos que homossexualidade é contra a natureza. Penso que se a homossexualidade se expandir a humanidade vai deixar de existir. É o caminho errado. É perverso. Todas as profecias divinas condenam esse caminho. Isso vai causar uma série de doenças físicas e sociais".

Digo a Ahmadinejad que a sociedade brasileira vê o mesmo tema de maneira muito distinta, e se ele acredita que poderá ser entendido no Brasil. "Eu penso que as pessoas as quais o senhor está se referindo são, em todas as partes do mundo, uma minoria. Uma minoria absoluta, no Brasil especialmente. O Brasil tem 180 milhões de habitantes, pessoas que acreditam profundamente em justiça, acreditam em pureza, também acreditam em Deus fortemente".

Futebol

A entrevista se aproxima do fim, e Ahmadinejad parece um pouco menos formal e concentrado apenas quando lembrado que no campeonato iraniano de futebol o artilheiro é um jogador brasileiro. "Há muitos jogadores brasileiros aqui, e o povo adora os jogadores brasileiros, o estilo de futebol brasileiro. Esta é uma área na qual deveríamos fortalecer a cooperação".

Atendendo a um pedido da assessoria de Ahmadinejad, oferecemos ao presidente do Irã que se dirija diretamente aos brasileiros, através de nossas câmeras.

"Gostaria de dizer olá ao adorável povo brasileiro. Nós amamos os brasileiros, amamos todas as nações ao redor do mundo, especialmente nações que buscam estabilidade, justiça e que estiveram submetidas à opressão e ao reino da injustiça no passado. Muitos dos valores do Brasil são os nossos valores. Oro ao Todo Poderoso por saúde, prosperidade, felicidade e bem estar para todos. Muito obrigado".

Entrevista terminada, Ahmadinejad faz uma de suas poucas brincadeiras. "Tomara que a gente só possa dar boas notícias", diz ele. E termina com "inshallah", a palavra muito usada no Oriente Médio que significa "se assim Deus quiser".

Um comentário:

Anônimo disse...

Se o Mahmoud Ahmadinejad meditasse na história de ESTER,((Ester 7:9.9:14)) e o fim que levou Hamã e seus dez filhos na fortaleza de susã. com certeza pensaria duas vezes antes de falar qualquer coisa negativa contra ISRAEL. o Ahmadinejad precisa saber que ainda tem milhares de MARDOQUEUS Invencíveis e que servem o mesmo DEUS de Ester;