sábado, 26 de junho de 2010

Agência Europeia afirma que Marte tem indícios de água por toda sua extensão

Zoom da cratera Lyot; as áreas marcadas com estrelas indicam os locais onde os minerais foram encontrados | Fotos: Divulgação

Primeiros afloramentos haviam sido descobertos há 2 anos no hemisfério sul; agora descoberta foi na parte norte do planeta


A Agência Espacial Européia anunciou nesta sexta-feira que podem existir condições favoráveis a vida em toda a extensão de Marte.

Duas de suas naves encontraram evidências de que existe água em estado líquido no "Planeta Vermelho".

A Mars Express da ESA (Agência Espacial Europeia) e a Mars Reconnaissance Orbiter (NASA) descobriram silicatos hidratados nas planícies do norte de Marte. Para a agência isso seria uma clara indicação de que já fluiu água por lá. As duas naves espaciais já tinham encontrado milhares de pequenos afloramentos no hemisfério sul do planeta, onde minerais de rochas haviam sido alterados pela água. Muitos desses afloramentos estariam na forma de minerais de argila conhecidos como filossilicatos hidratados. De acordo com a ESA, eles indicam que o sul do planeta já foi muito mais quente e úmido do que é hoje. Ainda segundo a ESA, até esta semana, não haviam sido encontradas evidências desse tipo no hemisfério norte. As planícies de lá são cobertas por mantas grossas de lava e sedimentos com vários quilômetros de espessura, o que dificulta as pesquisas.

A Mars Express encontrou os primeiros indícios de água nas planícies, mas como os afloramentos eram pequenos, foram necessárias observações mais detalhadas dos agentes. A nave Orbiter da NASA forneceu os dados de alta resolução que mostraram que pelo menos nove crateras do norte do planeta com a presença de filossilicatos ou outros silicatos hidratados. A descoberta foi relatada na edição desta semana da revista Science. Os minerais formados são idênticos aos encontrados no hemisfério sul. "Podemos dizer que o planeta foi alterado em escala global por água líquida há mais de 4 bilhões de anos", afirmou John Carter, principal autor do relatório e membro daUniversidade de Paris. Os cientistas, no entanto, disseram que ainda é difícil tirar conclusões sobre o tipo de ambiente que existiu em Marte, quando se tinha água, mas segundo eles existem pistas. "O terreno, que é rico em ferro e magnésio e conta com pequenas porções de alumínio, além da presença de olivina - que é facilmente modificada pela água - indica que a exposição do mesmo à água durou apenas dezenas de centenas de milhões de anos", disse Jean Pierre Bibring, investigador principal da Universidade de Paris.

As pesquisas dos cientistas se concentraram em 91 crateras consideráveis, onde a entrada de asteroides teria perfurado a superfície do planeta por vários quilômetros, expondo o "material antigo" da crosta terrestre. A Agência Espacial Europeia informou que os resultados poderão sugerir locais para futuras sondas a serem enviadas para Marte, uma vez que a evidência de água durante a história primitiva do planeta indica que havia condições favoráveis para a evolução da vida primitiva.

O Dia

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