segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Na TV, Ahmadinejad rejeita oferta brasileira de asilo a condenada


Presidente do Irã diz que ele e chefe do judiciário discordam da ideia. Sakineh Mohammadi Ashtiani foi condenada à morte por apedrejamento.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, revelou nesta segunda-feira (15) que seu país não vai enviar para o Brasil a mulher acusada de adultério que foi condenada à morte por apedrejamento. O presidente fez as declarações em uma entrevista à TV do seu país, recusando publicamente a oferta do governo brasileiro de receber Sakineh Mohammadi Ashtiani.

"Há um juiz envolvido no caso e os juízes são independentes. Mas eu conversei com o chefe do Poder Judiciário e ele também não concorda" com a proposta do Brasil, disse Ahmadinejad. "Eu acho que não há necessidade de criar algum problema para o presidente Lula e levá-la para o Brasil", acrescentou.

A sentença de apedrejamento para Ashtiani, uma mulher de 43 anos de idade e mãe de dois filhos, havia sido temporariamente suspensa depois que provocou protestos dos Estados Unidos e outros governos, bem como grupos de direitos humanos. O Brasil, que tem relações amistosas com o Irã, ofereceu asilo para ela.

Embora o Irã tenha suspendido a sentença de lapidação de Ashtiani, a condenação não foi cancelada e a mulher é agora acusada de desempenhar um papel no assassinato de seu marido em 2005. Ela ainda pode ser enforcada.

Na semana passada, a televisão estatal iraniana transmitiu uma suposta confissão de que uma mulher identificada como Ashtiani admitindo ter sido cúmplice no assassinato de seu marido. Seu advogado diz que suspeita que ela foi torturada para fazer a declaração, mas ele não foi autorizado a reunir-se com ela desde a transmissão para confirmar isso.

Human Rights Watch disse Ashtiani foi condenada em 2006 de ter uma relação "ilícita" com dois homens após a morte do marido e foi condenado por um tribunal a 99 chibatadas. Mais tarde nesse ano, ela também foi condenada por adultério e condenada a ser apedrejada até a morte, embora ela retratou uma confissão que afirma foi feita sob coação.

G1

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