terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sobre o passado de Dilma

A revista Época, que circula com a data de hoje, coloca na capa uma fotografia de Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência da República, de quando ela tinha 22 anos, fichada então pelo Dops (Departamento de Ordem Política e Social), de São Paulo, braço de repressão da ditadura militar brasileira, instalada em 1964. A manchete de capa é “O passado de Dilma” e, internamente, “Dilma na luta armada” e "Dilma no cárcere". Tem 13 páginas de textos, fotos e infrográficos.

Em 1964, quando os militares derrubaram o presidente João Goulart, a candidata petista tinha 16 anos. Em 1967, participa da reunião de estruturação de uma organização contra a ditadura, que passou a se chamar Colina. Segundo
Época, Dilma foi denunciada por chefiar greves e assessorar assaltos a bancos. Foi presa em São Paulo e torturada durante 22 dias em 1970. Deixou a prisão em 1972 após cumprir sua pena.



Época – publicação semanal da Editora Globo -, baseada em documento do então Serviço Nacional de Informações (SNI) coloca dúvidas sobre o passado dela, com questões assim: “Estava armada no momento em que foi presa?”, “Que tipo de treinamento com armas ela fez?”, “Que papel Dilma teve no roubo do cofre de Adhemar de Barros? (ex-governador paulista)”, “Qual foi a extensão do papel de Dilma na organização de assaltos a bancos?” e “Dilma se arrepende de alguma atitude tomada naquele período?”.

"NUNCA PARTICIPOU DE AÇÃO ARMADA"

A assessoria de imprensa de Dilma Rousseff enviou uma nota para a
Época, afirmando que “a candidata do PT nunca participou de ação armada”. “Dilma não participou, não foi interrogada sobre o assunto e sequer denunciada por participação em qualquer ação armada, não sendo nem julgada e nem condenada por isso. Dilma foi presa, torturada e condenada a dois anos e um mês de prisão pela Lei de Segurança Nacional, por ‘subversão’, numa época em que fazer oposição aos governos militares era ser ‘subversivo’, diz a nota. A trajetória de Dilma na luta contra a ditadura pode ser conhecida pela leitura de 5 mil páginas de três processos penais conduzidos pelo Superior Tribunal Militar nas décadas de 1960 e 1970.

REVISTA É CONTESTADA

O jornalista Paulo Henrique Amorim, que liderou o escritório da
TV Globo em Nova York, anos atrás, e que hoje é apresentador da TV Record, contestou a reportagem já no sábado, quando Época começou a circular. Escreveu em seu blog, por exemplo, que “Globo tenta o golpe da Dilma terrorista”. Segundo Amorim, a revista que está nas bancas traz uma capa requentada.

E refere-se ao tema: “O passado de Dilma – documentos inéditos revelam uma história que ela não gosta de lembrar: seu papel na luta armada contra o regime militar”.

Paulo Henrique Amorim, considerado um aliado do governo petista, comentou:

“Trata-se de uma das últimas tentativas de golpe das Organizações (?) Globo", escreve e usa a interrogação.

"A reportagem não traz nada de novo. E não ouviu a Dilma, que se recusa a falar com a Globo sobre esse assunto”.

Blog de Amorim:

http://www.conversaafiada.com.br/pig/2010/08/14/globo-tenta-o-golpe-da-dilma-terrorista/

JBlog José Aparecido MIguel

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