sexta-feira, 15 de julho de 2016

Santoeduardense Celso Peçanha, ex Governador do antigo Estado Rio de Janeiro, morre aos 99 anos de idade.




O ex-governador do antigo Estado do Rio de Janeiro (1961-1962) Celso Peçanha morreu na nessa quarta-feira (13), aos 99 anos, na capital fluminense. Natural do distrito de Santo Eduardo, em Campos, ele era sobrinho do ex-presidente Nilo Peçanha, também campista, e, além da política, atuou como advogado, jornalista e professor.

No ano de 1938, Celso ingressou na Faculdade de Direito de Niterói e no ano seguinte foi eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Foi prefeito de Bom Jardim (1941-1943), por nomeação do interventor Ernani do Amaral Peixoto, e chegou a administrar o município de Rio Bonito por três vezes. Ele foi eleito deputado federal pelo Rio, em 1950, pelo PTB, e em 1954 foi reeleito.

Em 1958, foi eleito vice-governador do Estado do Rio (na época a eleição para governador e vice se dava separadamente) pelo PSD. Com a morte do então governador Roberto Silveira em um acidente, no ano de 1961, assumiu o Executivo estadual. Em 1962, disputou uma cadeira no Senado, mas não obteve sucesso. Ele se afastou da política para exercer outras atividades. No entanto, em 1978, resolveu voltar à vida pública e foi eleito deputado federal, desta vez, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

O jornalista Saulo Pessanha recorda um episódio que ilustra “a correção de Celso Peçanha no exercício de sua vida pública”. Segundo o jornalista, o ex-governador salientava que “político tem que ter uma transparência capaz de ser examinada a qualquer momento e sob todos os ângulos”.

— Celso citava que um conhecido jornalista do Rio, dos mais famosos, ameaçou certo empresário quando soube que ele tinha uma amante. Focalizaria o assunto em sua coluna, a menos que o empresário conseguisse com ele (Celso, então governador do antigo Estado do Rio de Janeiro), e seu amigo, uma contribuição financeira mensal a título de divulgação de atos de governo. Celso foi procurado e não atendeu a extorsão. O jornalista voltou-se então para ele e disse que passaria a atacá-lo, questionando a sua honestidade: “O chantagista cumpriu a palavra: atacou-me durante uns cinco anos e chegou a escrever que eu era um dos políticos mais ricos do país. A Revolução nunca me pediu explicação sobre atos do meu governo. Anualmente, enviava ao presidente de plantão a declaração de meus bens” — conta Saulo.

Celso foi sepultado na tarde desta quinta-feira (14), em Niterói.

Folha da Manha.

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